8 de fevereiro de 2008

Relato de Flavia Cambi Alves.



Olá, como a maioria deve saber, meu nome é Flávia e tenho dezesseis anos. Aos treze, por insistência da minha mãe, fui a um médico ortopedista da minha cidade, e ao tirar o raio-x, ele constatou que eu estava com escoliose, aproximadamente, uns 40º graus. Pois bem, achei que era algo normal, pois eu não sabia nada a respeito de problemas na coluna desde então, e quando eu recebi a noticia não fiquei assustada ou com medo. Sem eu saber, o Dr. André chamou meus pais para conversarem em particular e explicou aos dois a situação. Ele já os alertou dizendo que o que eu tinha não era tão simples assim, que eu seria encaminhada para uma cidade vizinha (pois a minha não apresentava tantos recursos assim) e que talvez seria necessario uma cirurgia. Meus pais entraram em desespero, óbvio e não me contaram nada, até que um dia, eles me disseram que iríamos pra Ribeirão Preto, pra consultar com um ortopedista de lá, para ver o que ele achava sobre o raio-x que eu havia feito. Eu, na inocência, concordei. E no meio do caminho minha mãe me contou a verdade: disse que eu tinha sido encaminhada para outro médico, pois o que eu tinha era grave. A partir desse momento, entrei em desespero. Pensei mil e uma coisas, cheguei até pensar em câncer (olha o exagero ¬¬').

Chegando lá, fui a clínica do Dr. Fabio Musa (muito simpático por sinal) e ele ao ver meu raio-x se assustou e disse para a minha mãe: 'Mãe, esse caso eu passo para outro :/'

Minha mãe ficou desesperada e eu também, pois a gente não sabia o que viria pela frente. Então o Dr. Fabio me encaminhou para um colega de trabalho, que atendia na mesma clinica que ele, o Dr. André Carlos. Dias depois, voltei pra Ribeirão Preto, e ao consultar-me com ele, ele disse que eu teria que operar, pois minha curvatura estava alta para uma garota de 13 anos. Então, antes de marcar a cirurgia, ele me receitou uma Ressonância Magnética, só para constar se eu não tinha nenhum problema na medula.

Lembro como se fosse hoje: estava frio e um pouco nublado. Era cedo, umas sete horas quando chegamos a clinica onde eu faria a ressonância. Vesti uma camisola, estava tremendo. Não sei se era de frio ou de nervoso. Até que eu deitei na tal máquina e lá fiquei, com frio, segurando uma 'bolinha'. O exame duraria 50 minutos, ou seja, ficaria 50 minutos sem me mexer. Foi aí que alguma coisa aconteceu (eu diria milagre, pois eu tenho a plena certeza que foi um milagre): eu estava sonolenta e minha mãe estava sentada num canto da sala, coberta com um colete de pano, para evitar radiação. Então, eu escutei uma voz me dizendo: 'Coragem!' e eu respondi: 'Eu vou ser corajosa.' Escutei de novo: 'Você não vai operar.' Então, escutei a voz da minha mãe: 'Ela não vai operar?!' 'Não, ela é perfeita!', respondeu novamente a tal voz. Como eu não podia me mexer, achei que era alguma enfermeira que estava conversando comigo. Acabado o exame, viemos embora e então perguntei: 'Mãe, quem estava falando com a gente enquanto eu fazia o exame?' Ela me respondeu: 'Ninguém, só estávamos nós duas na sala.'

Nem preciso dizer o que era, não é?

Pois bem, depois de um tempo, o exame ficou pronto e a secretária do meu médico ligou para a minha mãe dizendo que deveria estar lá no dia tal, pois aí eçe veria o resultado do exame e iria marcar a cirurgia. Eu estava chorando, quando ouvi meu nome, dizendo que era a minha consulta. Quando cheguei, ele abriu o exame e eu estava lá, de cabeça baixa, esperando o dia que eu 'ia entrar na faca' (risos). Foi aí que ele me disse: 'Flavia, eu não vou te operar.' Me surpreendi, 'Não?!' 'Não', ele respondeu sorrindo. Aquele sorriso era tão cativante, e tão encorajador, que na mesma hora eu o abracei, chorando. Ele retribuiu o abraço e disse: 'Só que você vai usar um colete, para que sua coluna não entorte mais.' Aceitei na boa, pois eu faria tudo pra não ter que fazer a cirurgia. Saímos do consultorio, e a primeira coisa que a minha mãe fez foi ajoelhar no chão, chorar e agradecer a Deus. Nunca me esqueço desse cena, e tenho certeza que jamais vou esquecer. No mesmo dia, meus pais e eu fomos pesquisar os preços dos coletes, até que achamos um lugar muito agradável e a mulher que havia nos atendido fora muito educada e legal comigo. Fiz o molde no mesmo dia, e uma semana depois, fui lá buscar o Zeca (siim, meu colete tem um nome xP). Não vou mentir dizendo que fiquei super feliz em usar, claro que não. Fiquei um pouco nervosa, com medo. Mas me dei bem com ele. No começo apertava um pouco, mas era comum. Meus amigos apoiaram bastante e hoje sempre que me vêem na rua, eles me perguntam: 'E o Zeca? Tá bom? Tá cuidando direitinho de você?!' rsrsrs


Há 6 meses atrás meu médico descartou completamente a cirurgia, dizendo que eu não preciso mais xD Uso ele a quase 3 anos, e já não uso mais 23 horas por dia, e sim somente 16 horas, estou reduzindo o uso aos poucos.


Só tenho a agradecer a Deus, e muito. E tambem aos meus pais e amigos que sempre estiveram do meu lado, me apoiando, e me encorajando pra que tudo na minha desse certo, e me mostrando que eu sou capaz de vencer isso!


E a você, meu amigo, só tenho a lhe dizer uma coisa: FODA-SE quem te olha com cara feia, FODA-SE o que pensam de você, NUNCA desista! É pro seu próprio bem. EU SOU CAPAZ, VOCÊ É CAPAZ, NÓS SOMOS CAPAZES!


BEIJÃO! ;*

PS.: Fotos do inicio do meu tratamento. Depois postarei fotos atuais, pois não possuo :~

29 de janeiro de 2008

Classificação etiológica

• Idiopática (causa desconhecida);
• Neuromuscular (ex.: paralisia cerebral, poliomelite);
• Congênita;
• Relacionada com a má formação das vértebras; e
• Relacionada com a falha na segmentação.
Classificação
1 - Escolioses não estruturadas
a) Escolioses Posturais: frequentes em adolescentes, as curvas são leves e desaparecem por completo com a flexão da coluna vertebral ou bem com decúbito.
b) Escolioses secundárias e dismetria: a diferente longitude dos membros inferiores levam a uma obliqüidade pélvica e secundariamente a uma curva vertebral. A curva desaparece quando o paciente senta-se ou ao compensar a dismetria com a alça do sapato correspondente. Da mesma forma pode corrigir o comprimento da perna (sem cirurgia) caso encontre quem o saiba fazer.
2 - Escoliose estruturada transitoriamente:
a) Escoliose ciática: secundária a uma hérnia discal, pela irritação das raízes nervosas. Com a cura da lesão desaparece a curva.
b) Escoliose histérica: requer tratamento psiquiátrico.
c) Escoliose inflamatória: em casos de apendicite ou bem abscessos perinefrítico.
3- Escoliose estruturada:
a) Escoliose idiopática: hereditária na maioria dos casos. Provavelmente se trata de uma herança multifatorial. É o grupo mais freqüente das escolioses. Segundo a idade de aparição há três tipos:
Infantil – antes dos três anos de idade: Geralmente são muito graves, pois ao final do crescimento podem vir a apresentar uma angulação superior a 100 graus;
Juvenil - desde os três até os 10 anos;
Adolescente - desde os 10 anos até a maturidade: após a primeira menstruação e ao final da puberdade antes da maturidade óssea completa.
4 - Escoliose congênita
a) Escoliose congênita: provavelmente não é hereditária, se não o resultado de uma alteração ocorrida no período embrionário
Tipos:
• Defeito de forma vertebral;
• Vértebra em cunha;
• Hemivertébra;
• Defeito de segmento vertebral;
• Unilateral (barra);
• Bilateral (bloco vertebral);
• Funções costais congênitas;
• Complexas.

O que é escoliose?

A escoliose é um desvio da coluna vertebral para a esquerda ou direita, resultando em um formato de "S". É um desvio da coluna no plano frontal acompanhado de uma rotação e de uma gibosidade (corresponde a uma latero-flexão vertebral).
A escoliose é uma deformidade vertebral de diversas origens. As escolioses de um, ou outro grupo etiológico, podem ter prognósticos muito diferentes, pela distinta progressividade e gravidade de suas curvas. Para melhor entender a definição de uma escoliose, é preciso opô-la à atitude escoliótica:
• Sem gibosidade
• Sem rotação vertebral
A atitude escoliótica, é diferente da escoliose, e deve-se, em 8 entre 10 casos, a uma desigualdade de comprimento dos membros superiores, e desaparece com o paciente na posição horizontal.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Escoliose [adaptada]